Tiago Barata – Blog de Fotografia e Viagens

Este blog é dedicado a quem gosta de fotografia e viagense para todos aqueles que têm curiosidade de saber a minha visão do Mundo.


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Despertar Consciências

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À data que escrevo este post, Portugal atravessa uma das piores seca de que há memória! Segundo o IPMA, a 15 de Novembro cerca de 6% do território estava em seca severa e 94% em seca extrema. Outubro de 2017 foi o mês de Outubro mais quente dos últimos 87 anos, ou seja, desde que há registos (1931), com a temperatura média do ar 3°C acima do valor normal para a época.

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No fim-de-semana decidi rumar a Sul para presenciar in loco os efeitos da seca na barragem do Pego do Altar, Alcácer do Sal. Em virtude da actual cota da barragem, cerca de 8% da sua capacidade, a ponte de Rio Mourinho construída há 200 anos, que nas últimas duas décadas esteve submersa, passou a ver a luz do dia…

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No local a presença de água é meramente residual, com os inerentes efeitos em toda a fauna e flora.

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Já noite dentro e de regresso ao carro, o GPS alertava-me de que estava (ou deveria estar!) em plena albufeira da barragem…

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Termino relembrando a campanha para o uso responsável da água: “Fechando a torneira 1 minuto poupamos 12 litros de água. Se todos o fizermos, poupamos 120 milhões de litros por minuto” – um valor “suficiente para garantir as necessidades básicas de um milhão de portugueses”

“Não controlamos o tempo que faz, mas podemos controlar o que fazemos com o tempo”.

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Outono no Gerês

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Assinala-se hoje, 23 de Setembro de 2015, o equinócio do Outono,  nome que se utiliza na astronomia para o fenómeno que marca o final do Verão e a chegada da nova estação.

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De modo a marcar esta data, decidi publicar hoje o resultado fotográfico de uma viagem que fiz o ano passado às Serras da Peneda/Gerês. Considero que, a par do Parque Natural da Serra de Montesinho, são os dois locais de eleição em Portugal para contemplar (e fotografar claro está!) as cores quentes do Outono.

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Some-se a enorme simpatia e generosidade da população e a sua excelente gastronomia, e fica um pretexto para guardar todos os anos alguns dias de férias para rumar a Norte.

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Além das paisagens da Serra da Peneda e Serra do Gerês, tão próximas e curiosamente tão ricas na sua diversidade, a viagem não pode terminar sem a visita aos espigueiros do Soajo e, em particular, aos espigueiros do Lindoso, estruturas em pedra que têm como função secar o milho e, ao mesmo tempo, impedir a sua destruição por roedores.

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Ao escrever este texto reparei na curiosidade de neste post (Outono em Boston), publicado em Dezembro de 2014, ter assinalado não o início mas sim o fim do Outono. Se a isso juntarmos o post (Outono em Nova Iorque) restam poucas dúvidas da atracção que tenho por esta estação do ano…

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Um muito obrigado à Ana e Aníbal Marques pela companhia e preciosas dicas no local e ao António Sá que nos preparou um verdadeiro roteiro por terras do Minho.


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Ibéria Agreste

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O êxodo forçado de milhares de pessoas de uma vida dura nos campos para a esperança de uma vida digna nas grandes cidades, levou ao abandono e muitas vezes ao esquecimento de vastas regiões do interior de Portugal. Este fenómeno foi muito característico no Norte e Centro de Portugal, ainda nos tempos da ditadura do Estado Novo, muitas vezes com a fuga “a salto” e longas caminhadas durante a noite para atravessar a fronteira. Quase sempre como destino final: França.

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Este fenómeno migratório não foi exclusivo de Portugal e verificou-se igualmente na vizinha Espanha, esvaziando muitas aldeias, por exemplo, de Castela-Leão. Nestas zonas, as migrações massivas de pessoas conduziu a um interessante paradoxo: enquanto as grandes cidades se debatiam (e debatem!) com problemas de sobrepopulação e excesso de poluição, no Interior assiste-se ao recuperar da natureza dos locais outrora ocupados pelo Homem. Uma excelente notícia para a conservação da natureza!

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Faz hoje um ano que terminava um workshop avançado do fotógrafo António Sá, no qual tive a oportunidade de explorar a zona da Sierra de la Cabrera. As condições agrestes desta serra, com muitos picos acima dos 2000 metros, levaram ao êxodo de grande parte da população, permitindo por exemplo um aumento da população de corços e lobos, que agora até já têm de novo a companhia do urso-pardo ao fim de muitos e muitos anos.

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Esta viagem foi curta, mas memorável! Pela fotografia, pela gastronomia (em particular a carne e cogumelos…afinal também se come muito bem em Espanha!), pelos parques infantis em todas as aldeias (sim, mesmo em todas as aldeias, independentemente da sua dimensão!), mas acima de tudo pelas vivências, pela população que estoicamente luta contra a desertificação, contra o desaparecimento das aldeias do mapa. Na aldeia de Quintanilla aprendemos e muito sobre a história desta região de Espanha com o pastor Paco.

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Na aldeia de Santa Cruz, onde conhecemos os únicos dois habitantes, um deles um acérrimo defensor do lobo ibérico e um genuíno contador de histórias, de “sangue anarquista e republicano de nascença” (como se define).

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Chega a ser inacreditável que ainda não tivesse conhecido esta região! Quem preferir divertir-se na neve aqui fica uma alternativa, com uma procura ínfima comparada com a Serra da Estrela!  IMG2C_6221_500


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Barroso, Trás-os-Montes

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O Barroso, ou Terras do Barroso, é uma região que engloba os concelhos de Montalegre e Boticas, em Trás-os-Montes.

Em virtude da sua altitude (cerca de 1300 metros) é muito comum a Serra do Barroso, pertencente ao sistema montanhoso da Peneda-Gerês, ficar pintada de branco durante o Inverno. Por este motivo, o engenho humano há muito encontrou formas de ultrapassar a época mais fria do ano, com recurso às tradicionais vestes que muitos transmontanos não dispensam.

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Estas condições agrestes forçaram muita da população, actualmente muito envelhecida, a um profundo isolamento durante algumas épocas do ano.

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A população das aldeias do Barroso ainda subsiste em grande parte da agricultura e da pastorícia

O meu primeiro verdadeiro contacto com esta região de Trás-os-Montes foi pelas páginas do fabuloso livro “Crónicas Portuguesas” (Assírio & Alvim) do fotógrafo francês Georges Dussaud que documentou, como poucos, a ruralidade e as tradições do Barroso, e muito em particular as condições de vida e trabalho “agrestes”, provando a resiliência do povo transmontano. Como refere Christine Dussaud (mulher de Georges) a abrir o livro “Regresso a Portugal, no Norte do Norte (…), quer dizer, a Trás-os-Montes. Esta palavra que me fascina e que faz todo o sentido: para lá das montanhas, no além, um outro mundo”.

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Cascata próxima do Mosteiro de Santa Maria das Júnias

Uns anos mais tarde, mais concretamente em Novembro de 2009, participei num passeio do fotógrafo António Sá ao Barroso e tive a sorte de presenciar e fotografar esta região em pleno Outono, pintada não de branco, mas sim de uma vasta palete de cores.

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Mosteiro de Santa Maria das Júnias

Uma das verdadeiras iguarias da região, além da muito saborosa carne barrosã, são os pratos confeccionados com cogumelos provenientes das zonas mais húmidas da Serra do Barroso. IMG_1723_500

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Chegada à aldeia depois de uma manhã a colher cogumelos

Para quem desejar visitar Trás-os-Montes, além de toda a paisagem da Serra do Barroso, recomendo também uma visita ao Ecomuseu do Barroso, em Montalegre, e, um pouco mais longe, ao recente Centro de Fotografia Georges Dussaud, uma homenagem da Câmara Municipal de Bragança a este “filho da terra”.

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Na Serra do Barroso é possível encontrar inúmeras “Alminhas”, um símbolo de fé da população

Links úteis:


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O Mar Português (não) é para brincadeiras

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Força do mar na zona do Guincho (farol do Cabo da Roca ao fundo)

Ainda se aguarda a decisão final dos peritos norte-americanos para confirmar se o surfista Garrett McNamara quebrou ou não, no passado dia 28 de Janeiro de 2013, o seu próprio record do Guiness quando surfou uma onda de 23,77 metros em Novembro de 2011. Fala-se qua a onda surfada este ano, de novo na praia do Norte na Nazaré, terá ultrapassado os 30 metros.

Este feito impressionante fez-me decidir antecipar um dos posts que já tinha previsto partilhar convosco desde que arranquei com o blog.

Quem me conhece sabe do meu fascínio pelo Mar e por todas as actividades que a ele estão ligadas. Uma das temáticas que mais gozo me dá na fotografia é poder presenciar a chegada de uma frota de barcos artesanais a qualquer um dos portos de pesca espalhados pela nossa costa, nem que para isso tenha de acordar ainda antes do astro-rei aparecer na linha do horizonte. Sou igualmente um “fanático” por faróis e não deixa de ser curioso que, apesar de todos os avanços tecnológicos na navegação, estes focos de luz são ainda hoje um porto de abrigo para qualquer pescador ou grande armador de pesca.

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Farol do Cabo Raso com forte ondulação ao fundo

Apesar de ir muito mais frequentemente à praia no Verão, é no Inverno que mais prazer me dá contemplar o Mar! Nesta época do ano consigo abstrair-me totalmente do que se passa no areal e focar-me essencialmente na magnitude e na força com que as ondas rebentam, indiferentes a quem ouse aventurar-se ultrapassá-las!

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Ondulação forte, espuma e spray marítimo com fartura!

Termino este post exactamente como comecei, ou seja a falar do Mar português que aparentemente anda de novo nas bocas e nos jornais e revistas de todo o Mundo. Não deixa de ser curiosa a ligação entre mim e surfistas como o Garrett McNamara: enquanto eles consultam as previsões meteorológicas para decidir lançarem-se ao mar para quebrar mais um recorde, eu guio-me por elas para sair de casa para observar e registar estes exemplos da força da Natureza.

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Praia da Adraga logo após o pôr-do-sol

Todas as fotos deste post foram captadas em dias com ondulação entre 5 e 8 metros, em praias nos arredores de Lisboa. Se o mar estava assim nesta zona da costa Portuguesa, não me espanta que estivesse assustador mais a Norte…

Afinal de contas, o Mar Português (não) é para brincadeiras !!!!!

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Farol do Cabo Raso registado do interior do carro, numa altura de chuva e vento forte


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Portugal, uma enorme riqueza

Portugal tem uma enorme riqueza! Esta afirmação pode parecer estranha ou até mesmo provocatória tendo em conta os tempos difíceis que o País atravessa, contudo basta percorrer Portugal para esta desconfiança rapidamente se desvanecer.

Alqueva, o maior lago artificial da Europa

Em virtude da nossa localização privilegiada na Europa, com a forte exposição ao Oceano Atlântico e às influências directas do continente Africano e do Mediterrâneo, Portugal apresenta uma grande diversidade animal e vegetal, bem como uma interessante variedade de paisagens e climas, alternando zonas extremamente secas, com recantos húmidos, extensas planícies, densas florestas e até alta montanha.

Para um País com menos de 100 mil quilómetros quadrados, não deixa de ser notável a extraordinária biodiversidade, sendo que uma grande fatia (cerca de 20%) tem sido preservada ao longo dos anos por legislação nacional, ou por programas específicos de preservação de espécies vegetais ou animais (veja-se o exemplo do lince-ibérico, lobo-ibérico, foca-monge, abetarda, etc.).

Portugal apresenta, assim, condições ímpares para ser o porto de abrigo do maior animal de sempre (a baleia-azul), o felino mais raro do Planeta (lince-ibérico), a mais pesada ave voadora do Mundo (abetarda), a foca mais ameaçada do Oceano (foca-monge), o animal mais rápido (falcão-peregrino), entre outros.

Outro fenómeno curioso do nosso País é a mudança drástica de paisagem, percorridos que sejam alguns (poucos) quilómetros. Muitas vezes não necessitamos de conduzir mais de uma hora para atravessar uma longa planície banhada por tons dourados e terminar a viagem no topo de imponentes escarpas sobre o Atlântico.

Campo de girassóis no Baixo Alentejo

Veja-se o exemplo da Costa Alentejana, local único na Europa pela sua beleza selvagem e pelo facto de anualmente bandos de cegonhas aproveitarem exíguas reentrâncias nas rochas para aí nidificarem, sob a influência de ventos fortes e elevada humidade.

Cegonhas nidificam na Costa Alentejana

A riqueza de Portugal está ainda comprovada pela existência de 14 Parques Naturais, muitos a Norte, cada qual com as suas particularidades, habitats e espécies (muitas com estatuto de protecção especial).

Baixo Vouga Lagunar

Concluindo, podemos não ser ricos na acepção da palavra que em primeira instância nos vem à memória, mas somos certamente afortunados em Biodiversidade e tradições ancestrais!

Cogumelos no Barroso

O Blog

Com esta primeira entrada no blog pretendo mostrar uma ínfima parte da riqueza de Portugal e deixar alguns pontos de partida para próximos textos.

Dado que este blog foi pensado para quem gosta de fotografia e viagens, serão igualmente partilhadas histórias, destinos e vivências passadas em Portugal ou em qualquer outro canto do Mundo. De futuro procurarei dar sempre especial ênfase às tradições de cada Povo, como complemento à minha visão da natureza ou cidade.

Seguindo a sugestão de alguns amigos e tendo em conta o pouco tempo que tenho disponível, não me comprometerei com periodicidade de textos e fotos no blog, preferindo que este projecto não se torne uma obrigação, mas sim um verdadeiro prazer na partilha de vivências.

Fiquem atentos e sintam-se livres para partilhar este blog! Até breve!

P.S: se estiverem interessados em seguir este blog aconselho que introduzam o vosso email no separador do lado direito “Seguir este blog”. Serão assim avisados por email em primeira mão das novidades.

Muito sol e uma costa atlântica bem preservada, um dos grandes activos do turismo de Portugal